Voltar ao topo

Marketing em Portugal: o problema não é o dinheiro!

Há uma conversa que se repete. Em reuniões, em chamadas, em mensagens no LinkedIn. Os detalhes variam, mas o padrão é sempre o mesmo.
Um empresário quer crescer. As vendas estagnaram, ou crescem menos do que o negócio exige. Chega à conclusão de que marketing é a resposta. E começa a procurar agências, freelancers, propostas.

O que acontece a seguir é quase sempre previsível: o orçamento disponível é pequeno, as expectativas são grandes, e algures nessa equação, marketing torna-se uma despesa que não se consegue justificar, em vez de um investimento que não se pode ignorar.

Trabalho nesta área há anos. E posso dizer com honestidade: este padrão não é culpa dos empresários. É consequência de uma forma de pensar sobre marketing que ninguém se deu ao trabalho de corrigir.

O que o mercado ensinou e o que ensinou errado?

Durante muito tempo, marketing digital foi vendido como algo acessível, rápido e quase automático. O digital democratizou as ferramentas, mas criou a ilusão de que democratizou também os resultados.
A realidade é outra. Marketing feito com estratégia e consistência é um dos investimentos mais rentáveis que uma empresa pode fazer. Feito às pressas, com orçamento mínimo e sem clareza de objetivos, é dinheiro que desaparece e confirma exatamente o ceticismo que o empresário já tinha.
O problema não é o marketing. É a expectativa desalinhada com o que marketing realmente exige para funcionar.

O que acontece quando o orçamento não acompanha a ambição?

Há uma tensão real aqui, e é importante reconhecê-la.
Muitas PMEs portuguesas não têm capital para investir como as grandes marcas. Isso é uma realidade legítima. Mas há uma diferença importante entre não ter orçamento e não reconhecer o valor do que está a ser pedido.
Quando uma empresa chega a pedir gestão de redes sociais, Google Ads, produção de conteúdo e estratégia, tudo junto, todos os meses por um valor que mal cobre o custo de um colaborador a tempo parcial, não está a negociar. Está a pedir trabalho gratuito com outra embalagem.
E o mercado tem responsabilidade partilhada nisto: agências que aceitam condições impossíveis para fechar o contrato entregam pouco, e reforçam a ideia de que marketing não funciona. O ciclo repete-se.

O que o crescimento realmente custa?

Existe uma pergunta que faço sempre com novos clientes: quanto vale para si um cliente novo?
Na maioria dos casos, a resposta chega devagar. Porque muitas empresas nunca fizeram este cálculo. Não sabem o valor médio de um cliente ao longo do tempo, não sabem a sua margem por venda, não sabem quanto estão dispostas a pagar para adquirir um cliente novo.
Sem este número, qualquer conversa sobre orçamento de marketing é uma conversa no escuro.

Se um cliente vale 2.000€ e a taxa de conversão é de 10%, cada lead vale 200€. Se uma campanha gera leads a 15€, o retorno é evidente. Se o orçamento disponível é de 150€ por mês, os resultados vão ser proporcionais e a frustração, também.
Marketing não é caro. Marketing sem critério é que não tem preço porque não gera nada mensurável.

Uma conversa honesta…
Portugal tem empresários com produtos e serviços que merecem muito mais visibilidade do que têm. O problema não é falta de qualidade, é falta de sistema para a comunicar.

Se reconhece este padrão, a primeira coisa a fazer não é contratar uma agência. É perceber o que faz sentido para a sua realidade específica com honestidade sobre o que está disponível, o que é possível, e o que é realmente necessário para crescer.

É a única forma de sair do ciclo.
COMPARTILHE:

Categories

Related Posts

Tags